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Documentos divulgados pela Justiça dos Estados Unidos no caso Jeffrey Epstein revelam que o financista recebeu análises confidenciais sobre a crise política no Brasil durante o processo que antecedeu o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, com o objetivo de aumentar sua fortuna.
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As consultorias com grandes contatos do setor bancário convenceram Epstein a lançar um “aporte anticalotes” de US$ 10 milhões em janeiro de 2015, por meio de uma seguradora. Em agosto do mesmo ano, a quantia já havia rendido lucro teórico de US$ 837 mil.
Uma das análises de destaque foi enviada por e-mail em 7 de abril de 2015 por Daniel Sabba, então diretor do Deutsche Bank. O texto continha um relatório elaborado por José Carlos Farias, na época economista-chefe do Deutsche Bank para o Brasil, descrevendo manobras políticas de Dilma para tentar conter a crise.
Dilma, na época, convidou o então ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha (PMDB), para assumir a Secretaria de Assuntos Institucionais, substituindo Pepe Vargas (PT). O objetivo seria manter no governo dois nomes próximos ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), e ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), na esperança de reduzir a oposição ao governo no Congresso.
A análise apontava que Padilha ainda não havia aceitado a proposta, demonstrando relutância por acreditar que o então ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante (PT), manteria o controle da coordenação política.
O texto ainda destacava que o convite sinalizava que Dilma cedera à pressão para ampliar a participação do PMDB no governo, algo que o ex-presidente Lula supostamente a aconselhava a fazer.
O documento considerava que a movimentação poderia ser uma boa notícia, pois aumentaria as chances de aprovação de uma medida fiscal no Congresso – referência provável à política de teto de gastos, que viria a ser aprovada em dezembro de 2016, após o impeachment – e reduziria o risco de afastamento do cargo de Dilma, na época considerado baixo pelo analista.
O que aconteceu depois foi que, de fato, Eliseu Padilha não aceitou o cargo e pediu demissão do Ministério da Aviação Civil em 1º de dezembro de 2015, um dia antes de Eduardo Cunha acatar o pedido de impeachment na Câmara.
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Ainda em 2015, no dia 29 de julho, Sabba sugere que Epstein compre ainda mais seguros contra calote, pois o valor tende a aumentar. Em outro e-mail, de 4 de setembro de 2015, Sabba encaminha mais uma análise econômica de representantes do Deutsche Bank a Epstein e diz que “ainda há tempo para apostar na piora da economia brasileira”.
O processo de impeachment contra Dilma só foi encerrado em 31 de agosto de 2016. Entre esses dois períodos (set. 2015 – ago. 2016), a economia brasileira recuou aproximadamente 3,6% – ou seja, as ações de Epstein valorizaram ainda mais caso ele não tenha resgatado o valor, algo que não foi informado nos e-mails analisados.
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O Deutsche Bank, maior banco da Alemanha, manteve Epstein como cliente mesmo após sua condenação criminal em 2008.
Em 2020, o Departamento de Serviços Financeiros do Estado de Nova York multou o banco em US$ 150 milhões por falhas graves no monitoramento das transações de Epstein, que incluíam saques em espécie suspeitos vinculados a abuso sexual de menores. O banco admitiu ter cometido um grave erro ao aceitá-lo como cliente em 2013.
Daniel Sabba, que atuou no Deutsche Bank entre 2014 e 2017, aparece citado em 3.591 documentos relacionados ao caso Epstein – grande parte desse material são trocas de e-mails com análises e direcionamentos financeiros.
Nossa equipe de jornalismo não obteve retorno da assessoria de imprensa do Deutsche Bank Brazil até a publicação dessa matéria.
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Matéria publicada em 6 de fevereiro de 2026, às 11h34.